sábado, 17 de setembro de 2016

É PRA CHORAR, NÃO PRA RIR


Agora que já esgotamos nosso estoque de piadas sobre o episódio surrealista protagonizado pelos promotores da Operação Livra Rato, devemos começar a nos preocupar. Ao iniciarem sua explanação reconhecendo que não podem provar nenhuma das acusações que fazem ao ex-presidente Lula, eles deixaram claro  mais uma vez que vivemos num estado de exceção, uma ditadura do Poder Judiciário.

O canhestro esquema de power point que nos fez rir inicialmente é mais um tapa que os togados dão no rosto da sociedade. Como uma peça de acusação tão insustentável pode ganhar as manchetes dos jornais e servir de munição aos histéricos que insistem em demonizar aquele que foi o presidente mais popular da História do Brasil? Onde estão as contas de Lula no exterior (as de Cunha todos sabemos)? Quem são seus laranjas? Cadê as gravações comprometedoras, os e-mails indecentes? Nada. Os homens da lei vasculharam, vasculharam e só têm fofocas e achismos a nos apresentar.

E o Brasil parou para assistir nas redes de TV uma enxurrada de pseudo-denúncias calcadas em fofoca de portaria. O porteiro disse que o triplex é do "homem". O garagista confirmou que ouviu falar. O jornalista entrou na fofoca e garantiu uma manchete.

Pobre Brasil...


Em nenhum país do mundo uma acusação sem provas se sustenta, a menos que trate-se de um estado totalitário. O ônus da prova sempre coube a quem acusa mas no Brasil o acusado é que tem que se virar para provar que é inocente. E, desta vez, nem com o ônus da prova o acusador quis arcar. Bastou-lhe dizer que tem convicção de que Lula agiu ilicitamente. Servirá a "convicção" de um promotor pernóstico para colocar um ex-presidente da República na cadeia ou tirá-lo do próximo processo eleitoral? No Brasil de hoje, depois de tudo que vem acontecendo, depois das pedaladas inventadas, depois do Gilmar, do Moro, do Batman, do Alexandre Frota, do Reinaldo Merval de Azevedo, do Kim Katacoquinho, do Temer, do Bolsonaro e do Bolsonarinho, não se pode duvidar mais de nenhum absurdo.

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